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Ouso dizer que só uma sociedade que teve escravos poderia imaginar que as tarefas ligadas ao corpo e a atividades básicas para a conservação da vida – alimentação, higiene – seriam feitas por pessoas diferentes daquelas que lidam com a cognição! Só uma sociedade que teve escravos – expressão máxima da desigualdade –, que teve seu espaço social dividido entre a casa grande e a senzala, poderia separar essas duas instâncias da educação e entender que cuidar se refere apenas à higiene, e não ao processo integrado, envolvendo a saúde, os afetos e valores morais. Mas mesmo uma sociedade que teve escravos, como é o caso dos Estados Unidos, pôde se organizar, e cem anos após o fim da escravidão, ultrapassar a visão discriminatória em relação ao corpo no atendimento à criança pequena. Por que, entre nós, ainda prevalece o estigma e a marca de classe?
Considerando as ideias apresentadas no texto, de qual aspecto da Educação Infantil a autora está tratando?