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Se, quando comecei como terapeuta, você me perguntasse o que pessoas mais vinham procurar, eu teria respondido que elas esperavam se sentir menos ansiosas ou deprimidas, ter menos relacionamentos problemáticos. Mas, independentemente das circunstâncias, parecia haver esse elemento comum de solidão, um anseio, ou uma falta, de uma forte sensação de conexão humana. Um querer. Raramente elas expressavam isso dessa maneira, mas quanto mais conhecimento eu tinha de suas vidas, mais conseguia sentir isso.
Um dia, em meu novo consultório, na longa calmaria entre um paciente e outro, descobri um vídeo on-line da pesquisadora do MIT (Massachusetts Institute of Technology) Sherry Turkle falando sobre essa solidão. No final da década de 1990, ela disse que tinha ido uma casa de repouso e observado um robô confortando uma idosa que havia perdido um filho. O robô parecia um filhote de foca, com pelos e cílios compridos, e processava a linguagem suficientemente bem para responder de forma adequada. A mulher abria seu coração para esse robô, e ele parecia acompanhar seus olhos, escutá-la.
Turkle prosseguiu dizendo que, embora seus colegas considerassem essa foca-robô um grande progresso, uma maneira de facilitar a vida das pessoas, ela se sentiu profundamente deprimida. Fiquei sem fala, identificando-me. Apenas dias antes, tinha brincado com uma colega: “............. não ter um terapeuta no seu iPhone?”. Eu não sabia, então, que logo haveria terapeutas em smartphones, aplicativos pelos quais você poderia se conectar com um terapeuta “a qualquer hora, em qualquer lugar... em questão de segundos” para “se sentir melhor, já”. Minha sensação quanto a essas opções foi ___ mesma de Turkle em relação à mulher com a foca robótica.
“............. estamos essencialmente terceirizando aquilo que nos define como gente?”, Turkle pergunta no vídeo. Sua pergunta me fez pensar. Seria ............ as pessoas não toleravam ficar sós, ou por não tolerarem estar com outras pessoas? Por todo o país, em cafés com amigos, encontros no trabalho, durante o almoço na escola, em frente ao caixa na loja de departamentos e na mesa de jantar em família, as pessoas mandavam mensagens de texto, tuitavam e compravam, às vezes fingindo fazer contato visual, e às vezes nem se dando ao trabalho.
Até no meu consultório, pessoas que pagavam para estar ali olhavam para seus celulares quando recebia uma notificação, só para ver quem era. Para evitar distrações, sugeri desligarem seus celulares durante as sessões, o que funcionou bem, mas notei que, até mesmo antes de os pacientes chegarem à porta no fim da sessão, eles pegavam seus celulares e começavam a verificar suas mensagens. Será que seu tempo não teria sido mais bem aplicado se permitisse apenas um minuto a mais de reflexão sobre o que tínhamos acabado de conversar, ou para se recompor mentalmente e fazer a transição de volta para o mundo externo?
Notei que, no segundo em que as pessoas sentiam-se sós, normalmente no espaço entre atividades – saindo da terapia, num semáforo vermelho, paradas numa fila do caixa, subindo no elevador –, pegavam seus aparelhos e fugiam dessa sensação. Num estado de eterna distração, pareciam estar perdendo a habilidade de estar com outras pessoas, de estar consigo mesmas.
É possível afirmar que o assunto principal do texto é: