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As faces do machismo nas universidades
Há muito tempo venho refletindo sobre as desigualdades de gênero no mundo acadêmico, nas escolas ou na política. Muitos acreditam que o sucesso feminino é a melhor arma contra um mundo predominantemente masculino. Como sou um pouco incrédula em relação ao conceito de sucesso (por não entender muito bem o que ele significa e quais os parâmetros que o definem), prefiro acreditar que a resistência se dá por palavras. Palavras públicas. Dedo na ferida. É preciso desnudar a ignorância machista e apontá-la no flagra. Nosso papel é tornar o invisível, visível.
Foucault já dizia que conhecimento é poder. O feminismo lembra que conhecimento é poder masculino. Como se reproduz, então, essa ciência dos homens? Certamente por mecanismos tão sutis e invisíveis que nem sempre são facilmente identificáveis.
Muitas mulheres quando entram em uma sala de aula pela primeira vez para ensinar seja Física ou Ciência Política enfrentam rotineiramente a ridicularizarão de meninos que simplesmente não conseguem sincronizar a expectativa – uma disciplina encarnada na figura de um homem – e a realidade. Aí começa uma longa jornada de deboches, afrontas e desdéns.
Nos últimos tempos, tenho participado de debates – predominantemente masculinos – sobre política brasileira. Muitos dos chamados intelectuais de esquerda têm uma capacidade imensa de provocar paixões. Quando mais ininteligível for o “Professor”, melhor. Afinal, é justamente esse o prazer que o poder desperta. É assim que as pessoas querem ser vistas: inatingíveis. É justamente esse cara que o garoto da sala de aula espera porque, no final das contas, é esse cara que ele quer ser. Não é incomum que muito desse discurso enfeitado seja usado para persuadir sexualmente alunas muito jovens.
Deixo as frases difíceis àqueles que precisam delas. Todo o dia, lembro que muitos dos meus alunos estavam esperando o professor velho britânico, mas vão encontrar a jovem latino-americana, um tanto desajeitada e sem vontade nenhuma de parecer séria. Assumo as consequências de minha escolha – e não são poucas. Era bem mais fácil fechar a cara, falar grosso e delirar na dialética discursiva.
Eu paro a aula e pergunto por que fulano está rindo e peço para ele compartilhar a piada com o grupo todo. Ele fica vermelho e seu império de papel desmorona. E eu continuo aqui, em minhas aulas ou em minhas colunas, acreditando no poder revolucionário e democratizante do sorriso generoso e das palavras simples.
Em “Deixo as frases difíceis àqueles que precisam delas.” (5º§), é possível identificar a ocorrência do fenômeno da crase de modo obrigatório. Também, obrigatoriamente, o acento grave foi utilizado em: