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As ciências são compostas de um conjunto de explicações com peculiaridades próprias e de procedimentos para obter essas explicações sobre a natureza e os artefatos materiais. Seu ensino e sua aprendizagem serão sempre balizados pelo fato de que os sujeitos já dispõem de conhecimentos prévios a respeito do objeto de ensino. A base de tal assertiva é a constatação de que participam de um conjunto de relações sociais e naturais prévias a sua escolaridade e que permanecem presentes durante o tempo da atividade escolar. Nenhum aluno é uma folha em branco em que são depositados conhecimentos sistematizados durante sua escolarização. As explicações e conceitos que formou e forma, em sua relação social mais ampla do que a de escolaridade, interferem em sua aprendizagem em ciências naturais. Muitos destes conceitos e explicações estão permeados por sua experiência corporal mais direta; por exemplo, a ideia de que os objetos têm velocidade, de que oferecem diferentes resistências à manipulação, bem como sensações de calor, peso, frio, dor, umidade, conforto, de estar doente são formadas diretamente na relação do organismo vivo com o mundo circundante. No entanto, mesmo estas sensações mais imediatas estão mediadas por uma linguagem e por explicações socialmente construídas, à medida que se expressam por palavras que são parte de um vocabulário de extensão distinta, nas diferentes línguas humanas.
(DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. C. A. Ensino de ciências: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2009, p. 131)
No ensino de ciências, os conhecimentos prévios de estudantes devem: