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Se os manuais escolares ainda não tomaram conhecimento das diversas possibilidades que existem de tratar a compreensão de texto, isto não deve ser motivo para desânimo. Nem significa que devemos jogar fora os manuais. Eles são úteis e podem continuar em uso, mas precisam de uma complementação. Já é suficiente ter claro que a compreensão, enquanto "leitura da realidade", "leitura do mundo", é uma atividade bastante complexa, em geral de cunho ideológico e nunca isenta de equívocos. Também não é uma pura atividade de garimpagem de informações objetivas.
Será proveitoso conscientizar-se de que ninguém é "dono" exclusivo do(s) sentido(s) dos textos. O autor não põe no texto todos os sentidos; o leitor não é dono dos sentidos e os sentidos não estão todos no texto. O sentido é algo que surge negociada e dialogicamente na relação entre o leitor, o autor e o texto sob as condições de recepção em que estamos situados, pois os textos têm seus sentidos determinados por muitas condições, sobretudo as condições em que ele é produzido e lido. O autor pode ter querido dizer uma coisa e o leitor ter compreendido outra: o equívoco é possível.
Uma coisa é certa: não podemos ter a ilusão de que um texto tem uma só leitura (compreensão) nem que a nossa leitura ou compreensão é a única ou a mais correta. O sentido se dá num processo muito complexo em que predominam as relações dialógicas, e os conteúdos textuais são apenas uma parte dos dados. O dia em que a escola se conscientizar disso estará efetivamente contribuindo de maneira substantiva para a formação de cidadãos críticos. Estará dando um passo decisivo para a melhoria das condições sociais e individuais dos milhões de estudantes de hoje que amanhã serão os adultos responsáveis nas mais diversas atividades do dia a-dia.
Dionísio* refere ser preciso “que os livros didáticos saibam enfrentar, como ressalta Rangel (2001: 13), ‘os novos objetos didáticos do ensino de língua materna: o discurso, os padrões de letramento, a língua oral, a textualidade, as diferentes ‘gramáticas’ de uma mesma língua etc.’ Na parceria livro didático–professor, parece-me que ambos ainda estão acertando o passo na travessia entre as teorias linguísticas e o ensino de língua materna”; tal asserção corrobora a crítica apresentada pelo texto B a respeito de: