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“Como membros da sociedade, as crianças herdam a cultura dos adultos e são socializadas nesta cultura a partir das interações com seus pais e com outros familiares. Mas elas próprias produzem cultura. O modo de interpretação do mundo pelas crianças é marcado pela alteridade em relação aos adultos. As culturas infantis se configuram em torno de quatro eixos: Primeiro, as culturas infantis integram de forma específica uma ludicidade que não é exclusiva das crianças.
Segundo, interatividade. À medida que elas realizam seu processo cultural interativa e continuamente, imitam as outras crianças, o que podemos observar nos jogos, nas brincadeiras e em padrões de desenho de meninos e meninas de várias partes do mundo. É um processo de transmissão cultural intrageracional.
Terceiro, transposição fantástica do real, da ligação entre imaginação e realidade, da ficcionalização, que é própria, por exemplo, da literatura, da poesia, do cinema. Nas crianças, esse processo é continuamente ativado pelo jogo simbólico. Para elas, isso representa a possibilidade de explorarem imaginariamente aspectos da vida que as preparam para lidar com situações reais no futuro.
Quarto, a questão da interação temporal, pela ideia de que tudo pode começar novamente, em um tempo que não é linear, não tem princípio nem fim, mas é cíclico e se desenvolve em espiral”. (Manuel J. Sarmento. Culturas Infantis e direitos das crianças - Adaptado).
Compõem o pensamento do autor: