///
Em Reinventar a Escola (2000-p.92), Candau transcreve o discurso interessante e polêmico de um professor de Ensino Médio numa escola da Zona Sul do Rio de Janeiro, conforme o texto abaixo.
“A escola tem a expectativa de um aluno que não existe. De um aluno que seja disciplinado, que seja estudioso, que seja obediente, que seja criativo, que seja inventivo, que saiba trabalhar em grupo, que promova relações de grupo, que tenha preocupação cultural, que tenha preocupação política, que organize um grêmio, que tire boas notas, e agora mais do que nunca, a expectativa da escola num excelente vestibular, disso depende inclusive toda a vida da escola, isso tudo não existe numa única cabeça...”
O discurso do professor aponta uma gama ampla de aspectos relacionados ao perfil de aluno “desejado” no Ensino Médio, numa escola cuja população é oriunda da classe média e média alta. Sua fala aponta a necessidade de se compreender melhor o tipo de aluno que a escola recebe, os problemas que esse jovem enfrenta, suas novas capacidades e, a seguir, rever as perspectivas da escola com relação à sua aprendizagem e seu desempenho escolar. Com base no problema apresentado, percebe-se que as contradições encontradas na proposta pedagógica e nas atividades cotidianas de algumas escolas indicam a dificuldade que a escola ainda tem para lidar, principalmente, com a seguinte questão: