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A expressão Antigo Regime é uma construção a posteriori que se reveste de fortes conotações ideológicas, pois, a rigor, foi produzida justamente por aqueles agentes históricos mais empenhados em condenar e destruir a sociedade à qual aplicavam esta denominação – os constituintes de 1789. Ao chamarem de Antigo Regime a sociedade existente, os revolucionários franceses tinham na mira justamente uma sociedade que execravam e que pretendiam demolir. Na mesma idéia de Antigo Regime eles incluíam ‒ e condenavam ‒ toda uma constelação de instituições, práticas e representações sociais típicas, segundo eles, do regime existente na França antes da Revolução.
Certamente os homens da Revolução Francesa foram inspirados pelo ódio à tirania, e ergueram-se em revolta contra a opressão. Contra a tirania e a opressão, não contra a exploração e a pobreza, eles reivindicaram os direitos do povo, de cujo consentimento – de acordo com a Antiguidade romana, em cuja escola o espírito revolucionário foi instruído e educado – todo o poder deve receber sua legitimidade.
Historicizando os conceitos de revolução e de tradição, as enunciações dos textos sublinham no contexto histórico da França de Luís XVI a